As mulheres, em pequeno número no reino, não fugiram à luta e se organizaram no que ficou conhecida como a Brigada Partisan de Amazonas "Brianda Pereira" em homenagem à heroína da Batalha de Salga da história macronacional açoriana.
Os últimos dias de tensionamento entre Açores e Reunião tiveram como foco discussões sobre a constituição açoriana e o desrespeito às instituições deste reino, o que intensificou descontentamentos e levou o povo açoriano às ruas pela sua libertação.
No entanto, no mesmo período, outra batalha era travada nas rotundas do palco reunião: açorianas debatiam sobre a pequena participação das mulheres na vida micronacional. Sendo em todo o mundo (macronacional) mais de 50% da população, no universo das micronações as mulheres representam não mais que 10% da população ativa, talvez bem menos que isso. Na tentativa de se contrapor aos números apresentados pelas açorianas, os reuniãos traziam listas de mulheres que passaram pelo micronacionalismo neste ou naquele império, além de seus feitos, títulos e cargos. Evidentemente houveram mulheres que se destacaram - e se foram - e há ainda algumas ativas e participativas, mas isso não significa necessariamente um equilíbrio, mas tão somente um indício do desejo das mulheres de pertecerem ao mundo micronacional.
A pergunta persistia. Porque há tão poucas mulheres em Reunião e no micromundo?
Retóricas evasivas tentavam comprovar que as mulheres não tinham interesse por política e preferiam assumir tarefas fúteis, meramente decorativas, quando muito algumas se desviavam do que seria considerado o padrão de comportamento feminino para meterem-se na política por algum tempo. Contraditório é que segundo essa mesma retórica - brutalmente defendida na praça pública de Reunião - ou as mulheres não gostam de política, ou se gostam e se destacam, são menos mulheres por isso.
Mais um ponto a salientar sobre o paradoxo reunião da presença feminina foi a maneira como homens e mulheres foram atacados durante os momentos acalorados da batalha de restauração da independência açoriana: enquanto homens eram tidos como traidores - por não aceitaram ver sua constituição rasgada em praça pública - as mulheres mereciam xingamentos, numa tentativa de humilhação que não levava em conta os preceitos defendidos - de igualdade de direitos e soberania nacional - mas somente buscava desqualificá-las com base em preconceito de gênero.
Felizmente nos Açores a constituição é clara quanto à eqüidade de todos os cidadãos, e tradicionalmente impera o respeito humano no trato cotidiano e nas decisões coletivas. No Reino Unido dos Açores, homens e mulheres tem voz e voto. É sim razão de se festejar a garantia de direitos das mulheres açorianas que, tendo lutado ombro a ombro e assinado conjuntamente a Carta de Santa Maria, participam agora dos Estados Gerais.
Mas ainda somos poucas - nos Açores, em Reunião e em todo o micronacionalismo - e essa incógnita precisa reverberar até que se conheça suas razões, ou até que se alcance o equilíbrio social de gênero.
