terça-feira, 26 de maio de 2009

Um protesto de mulheres e mães

Após pouco menos de um mês, desde a minha entrada como cidadã no Reino Unido dos Açores, uma mensagem provocou este desabafo. Pelo baixíssimo nível, caráter machista e preconceituoso do autor, é preferível omitir a origem. O debate gerado na praça pública do Sacro Império de Reunião, conhecida como Chandon, no dia 26 de Maio de 2009, foi o estopim para a criação da União de Mulheres Açorianas, que conta também com apoio de cidadãs e cidadãos açorianos que acreditam num micromundo onde impera o respeito na construção da cidadania. (Márcia Nestardo).

"Curiosamente, alguns homens se manifestaram antes sobre a baixeza da mensagem e nenhum deles mereceu resposta tão generosa.


É fato: o sarcasmo da resposta não convence a ninguém. Houve sim preconceito e machismo na tentativa de agredir o interlocutor.

Evidentemente em meio a tantas discussões vazias, minhas mensagens anteriores que falavam contra a homofobia ficaram perdidas na avalanche do Chandon. Ou será que não foram comentadas pelos ativíssimos nobres por acharem que não há homossexuais e lésbicas na vida micronacional? Mais ainda, foram ignoradas por se crer que são tão pouco representativos quanto as mulheres?

Não faz uma semana tivemos lá nos Açores um excelente debate a respeito da participação feminina no micronacionalismo. Curiosamente não houve sequer uma linha que explicasse a baixa participação feminina como sendo escolha livre e pessoal das mulheres por uma participação fútil e desqualificada. Fato é que existe sim um preconceito de gênero que perpassa todas as formas de inteiração social, resultado de culturas patriarcais que negavam direitos às mulheres, colocando-as como posse e propriedade masculina. Essa práxis está em todas as esferas, aqui e lá fora.

O feminismo no passado teve seus símbolos, e mantém hoje o caráter emancipacionista da mulher como sujeito social.
Queimamos soutiens? Sim. E fomos queimadas vivas numa greve por melhores salários! Isso é o feminismo.

Quanto a propor políticas objetivas há um passo anterior que é a compreensão de toda a sociedade de que a discrinação de gênero é real e precisa ser combatida. Enquanto as mulheres tiverem suas bocas amordaçadas pela arrogância e o preconceito, não terão forças para uma ação política organizada e propositiva na busca de seus direitos. Enquanto todos acharem normal que cidadãs novatas desapareçam sem deixar marcas de participação, e julgarem isso uma limitação inerente à mulheres, evidentemente nenhuma lei será construída em sua defesa.

Se alguém quiser aprender um pouco sobre o movimento de garantia dos direitos das mulheres (na esfera macronacional) basta me procurar.
E as mulheres que desejaram discutir questões de gênero nos espaços políticos micronacionais são bem vindas.

Mantenho e reitero meu protesto como mulher e como mãe: contra toda forma de opressão política e social."

Nenhum comentário:

Postar um comentário